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Capítulos de MAGMA

Público·151 Leitores

CAPÍTULO 13

MAGDALA

 

“Pelo AvasChat, suponho que tenha melhorado.”


Olho para cima e vejo Ettore encostado na parede de frente pra porta do banheiro da universidade que acabei de sair. Seus braços estão cruzados como se tivesse me esperado. Para alguém que parece inalcançável, ele me alcança fácil.


“Você está me stalkeando pessoalmente também?”


Ele se aproxima de mim. Quase dou um passo pra trás, para ninguém nos ver falando um com o outro. Mas estamos sozinhos por enquanto.


“Posso estar apenas preocupado.”


Ele me defendeu do paparazzi, porém não acredito que esteja preocupado comigo. “Se me seguiu esperando ter conteúdo do meu pai, será raro.”


“Não preciso de um sugar daddy.”


Eu genuinamente rio.


A risada é cortada quando Ettore toca em uma argola no topo da minha orelha, “Piercings falsos. Notei agora.”


Ele põe uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e eu prendo a respiração. Seu toque é leve. Quase fecho os olhos.


“Não tenho coragem de sentir a dor de furar,” explico evitando fazer contato visual e olhando para o corredor por precaução. Ainda assim, consigo focar no quão cheiroso Ettore é.


Ele inclina a cabeça de lado, juntando as mãos nas costas. “Mas tem coragem de saltar de uma pedra alta pra uma piscina, entre outras coisas questionáveis.”


É claro que ele estaria presente naquela festa. Nosso estilo de vida se cruza na maioria das vezes. Me pergunto quais as outras coisas ‘questionáveis’ Ettore já me viu fazendo.


“Eu estava bêbada,” me defendo.


Ele dá uma risadinha. “Não estou julgando, Magnólia.”


“Não preciso da sua aprovação, de qualquer maneira.”


“Mas dos outros, você precisa.”


Aperto a alça da minha bolsa com força, como se fosse o pescoço dele. “Agora está me julgando.”


“Ops.”


Tenho que sair daqui.


“Por que você fica olhando pro lado? Verificando se dá pra sair correndo de mim?”


Porque eu avisei ao Luigi que iria no banheiro e, se eu demorar muito, ele pode aparecer me procurando. “Porque tenho um compromisso e você está me atrasando.”


“Era só ter me ignorado.”


Luigi vivia insistindo em falar comigo, me seguindo, me impedindo de escapar. Era mais fácil não rejeitá-lo. Ettore não é Luigi, Magdala, digo a mim mesma.


“Obrigada por me defender do paparazzi,” começo a me despedir. “Você tem uma voz muito bonita.”


Diferente de Luigi, Ettore me deixa ir.

 

ETTORE

 

Termino de ajudar Chaewon a colocar as compras do supermercado no porta-malas do seu carro. Quando fecho, bato os olhos em uma propaganda da Magdala para creme de pele. Reviro os olhos.


Minha amiga encontra a imagem e então ri da minha reação. “O universo não para de mostrar ela pra você.”


Eu odiava que eu não tinha como me livrar dela. Cada vez que eu a via, pensava em como seu pai está vivo e minha mãe morta e Magdala sem problemas na vida. Odiava mais ainda que eu me pegava observando-a ou lendo alguma notícia sua. O vício inconsciente.


“Que o universo continue cruzando nosso caminho, então. Mais fácil de eu matá-la.” E entro no banco passageiro.


“Bem, você mata sem precisar se envolver com seu alvo,” Chaewon continua ao se sentar no seu banco.


“Ai, não menciona meu trabalho, que já estou sentindo os efeitos do tédio por não estar assassinando um político.”


Sinto falta até de me arrumar pro crime. De usar a “farda” preta. Mesmo tendo que esconder todo meu corpo e rosto, ainda dou um jeito de ser estiloso. As roupas são quase no nível de um vilão sexy. Práticas o suficiente para guardar os equipamentos, lutar e fugir, porém não tão de aparência sem graça. As roupas mais caras, eu não queimo; deixo-as guardadas na residência dos Pratas.


“Coloca logo o cinto de segurança, senão quem será assassinado aqui é você. Por mim.”


“Só dois melhores amigos falando casualmente de assassinato após fazerem compras no supermercado juntos,” eu brinco, obedecendo-a.


A caminho da casa de Chaewon, noto ela verificando o painel de seu McLaren, cenho franzido.


“Que foi?” pergunto.


“Tô sentindo algo estranho no carro. Tá sentindo não? Acho que é melhor eu parar.”


Ela estaciona o carro num local com menos trânsito e saímos dele.


“Ah, puta merda,” Chaewon xinga, olhando para o pneu da frente.


Vou checar os outros e encontro um de trás também furado.


“Quem foi o pirralho que fez isso?! Os pais não estavam olhando não?!”


“Um pirralho que tem uma faca? Esse furo é de faca,” informo.


“Eu não quero nem saber como você reconheceu esse detalhe.”


Eu rio.


“Argh! Que merda! Vou ligar pra virem buscar o carro.”


Pego meu celular, “Vou ligar pro Marco nos buscar.”


O calor das 16:00 não está tão ruim, pelo menos. Ficamos encostados no capô do carro esperando meu chofer chegar, eu mexendo no celular e Chaewon fumando cigarro.


“Não, sério. Por que alguém faria isso? Eu estacionei ele direito no supermercado. Não peguei vaga de ninguém.”


“Talvez inveja do carro?”


Minha amiga não está convencida. Ela se levanta, ansiosa, e começa a investigar mais os dois pneus furados.

“Ettore...”


Sua voz aflita faz me levantar e ir até ela, que está agachada olhando para um papel que encontrou no pneu da frente. O bilhete tem escrito:

POW

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