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Capítulos de MAGMA

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CAPÍTULO 14

MAGDALA

 

Não é minha primeira vez em uma casa noturna que tem palcos de pole dance para quem quiser dançar. Há luzes neon, sofás de veludo, lustres em formato S, garçons passando, pessoas dançando Stray Kids, um dos meus grupos favoritos. Estou usando um vestido curto brilhoso com um decote profundo na frente, uma corrente fina corporal que desce da minha garganta até a coxa, maquiagem pesada, e acompanhada de Luigi e Antonella.


Nos juntamos a mesa do crush da minha prima. Dario Dourand. 20 anos, pele retinta, cabelo crespo raspado, óculos de grau, elegante, forte, maquiagem colorida, estuda Análise e Desenvolvimento de Sistemas e foi baterista do Ettore.


“Já pedi rodízio de bebidas pra gente,” Dario menciona, sorrindo para Antonella. Ele é fofo.


“Tô morrendo de fome,” comento a Luigi.


Meu namorado chama um garçom e faz pedidos para todos da mesa. Na maioria das vezes, ele finge ser amigão de todo mundo.


A comida chega em menos de meia-hora e logo ataco.


“Chae! Você veio!”


Quase engasgo ao ver Dario e Chaewon dando dois beijos nas bochechas um do outro. Eu não deveria estar surpresa que ela veio.


“É, Ettore me deu carona.”


Falando no diabo... Blazer vermelho bordô com uma textura grossa, enquanto a camisa debaixo é de tecido fino e ele deixou os botões abertos até acima do umbigo, é claro. Uma gargantilha fina preta, correntes e colares prateados e, como sempre, pulseira, anéis, brincos e piercings de orelha. Seu delineado também não poderia faltar. Ettore parece um rockstar antigo.


Dario e ele se cumprimentam com dois beijos nas bochechas também.


Abaixo o olhar quando Ettore encontra o meu. Luigi está bem do meu lado, braço atrás dos meus ombros. Espero que meu namorado não perceba como estou um pouco trêmula.


“Meu carro ainda está sendo resolvido,” escuto Chaewon contar a Dario.


Ela cumprimenta a mim e a Antonella e ignora Luigi. Passo a gostar mais dela por isso.


“Ela não me conhece?” ele reclama no meu ouvido.


Gesticulo ‘não sei’, disfarçando meu pequeno sorriso.


Ettore se senta em um espaço da mesa que permite nossos olhos ficarem se encontrando. E eu quero ficar olhando pra ele, mesmo sabendo das consequências.


“...Essa reizinha aqui precisou vir se divertir,” Chaewon se levanta. Parece ansiosa, como se não conseguisse ficar sentada por mais nem um minuto.


Ela toma a caipirinha num gole e então se direciona a um palco. Meu queixo cai.


“Mentira,” Antonella está com a boca aberta num sorriso.


Chaewon sabe pole dance. E está de saia curta, salto alto, cropped com decote e cabelos soltos. Puta merda. Suas pernas bem torneadas estão fazendo maravilhas. Ela dança com tanta confiança. É como se estivesse no próprio mundo. As luzes nela deixam a cena ainda mais sexy, sua maquiagem e roupas cintilando.


“Porra, ela é muito gostosa.” Minha prima é bi também.


“Issoooo,” Dario elogia a amiga.


Ettore não para de sorrir, filmando a melhor amiga pelo celular. Confiro Luigi e ele está assistindo com o cenho franzido, como se não soubesse se aprova a atitude ou não. Se fosse eu no palco, ele ficaria com ciúmes.


“Você não vai?” Dario pergunta a Ettore.


“Não estou vestido apropriadamente pra isso.”


Minha buceta agradece. Ficaria molhada assistindo-o fazer pole dance.


“Você também sabe?! Que foda!” Antonella elogia Ettore.


“É, eu e Chae fizemos aula juntos,” ele dá um sorriso orgulhoso, ainda filmando a melhor amiga.


Chaewon retorna falando que está com fome.


“Te assistir me deu foi sede,” Dario flerta.


Todos da mesa riem.


Luigi dá um beijo na minha orelha e, involuntariamente, meus olhos vão para Ettore. Ele olha para nós dois escondendo um sorrisinho com a boca na taça antes de dar um gole na bebida. Gostaria de saber o que está pensando. Talvez eu não fosse gostar.


Meu celular toca. É Athena, minha agente. Aviso ao meu namorado que vou pra um lugar com menos barulho.


“Não demore.”

 

ETTORE

 

Chamamos a polícia para investigar sobre o bilhete ameaçador de ontem. Chaewon acredita ter sido uma brincadeira de mau gosto. Pra descontrair, pediu para que aceitássemos o convite do nosso amigo Dario pra curtir em uma casa noturna hoje.


Não esperava ver Magdala. Ela é como uma assombração na minha vida, me seguindo por onde eu vou. O problema é que eu gosto de ser assombrado.


Encontro meu fantasma no estacionamento. Não quero assustá-la, então não fico escondido. Acendo um cigarro enquanto assisto-a falar no celular com sua agente. Ela olha pra mim de vez em quando. Sua postura é profissional, mesmo andando pra lá e pra cá. Empresária, não somente socialite.


Quando ela desliga a ligação, dá um suspiro. “Você continua me seguindo.”


Subo na calçada onde ela está perto de uma árvore, “Vim só fumar um cigarro.” Ela sabe que é mentira.


Me aproximo até ela precisar erguer a cabeça para olhar nos meus olhos. Erradamente, desejo tocar no seu cabelo. Ela não se afasta, porém sinto um pouco de sua relutância.


Dou uma tragada no cigarro e, quando baforo, ela abre a boca para receber a fumaça. Sinto uma fisgada na virilha. Ela está com medo em um minuto e no outro é ousada. Magdala é feroz, descubro.


“Estamos expostos,” ela adverte, voz baixa, como se fôssemos amantes.


Olho ao redor. Não avisto paparazzi. O estacionamento é a céu aberto, mas privado.


“Não estou pensando somente em paparazzi,” ela evita contato visual ao revelar isto.


Bufo uma risadinha. “Seu namorado,” jogo o cigarro fora. Ponho as mãos nos bolsos da calça, “Então ele é ciumento.”


Magdala não confirma, como também não nega.


“Você fica mais ousada quando Luigi não está presente,” dou um passo pra frente. “Faz me questionar se você é verdadeira com ele. Não acredito que você o ama.”


“Ele é só um namorado, não um amigo,” sua voz é amarga. Ela apoia as costas no tronco da árvore.


Eu deveria me sentir enojado por ter atração pela mulher que é filha do homem que assassinou minha mãe. Mas estou desejando pressioná-la contra a árvore e descobrir como ela soa gemendo meu nome em um arriscado beijo.


Eu digo, “Se você fosse minha, eu seria seu melhor amigo.”


Ela sorri. É um sorriso sem compromisso, sem sentimento, como se minhas palavras não tivessem tido efeito algum nela. Eu quero ter poder sobre Magdala, mas estou gostando que ela não me permite. Talvez o masoquista seja eu.


“Não contei ao meu pai que você tem problema com ele.”


A informação me pega desprevenido. “E por que não contou?” Sem tocá-la, aproximo minha boca do seu ouvido, “Você está dizendo que é minha amiga?”


Ela põe uma mão no meu peito nu, me afastando para olhar nos meus olhos. Seus anéis são gelados na minha pele, assim como sua voz e expressão quando ela responde, “Estou dizendo que posso te destruir quando eu quiser.”


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