Capítulo 35
ETTORE
Uma galera da fraternidade me implorou para vir a esta festa, porque queriam admirar mais a minha Bugatti. De bom humor, ameacei cortar um dedo de todos se eu encontrasse um arranhão no meu carro novo. A real é que só vim pra vestir meu look: uma blusa de correntes de strass por dentro da camisa de mangas compridas com decote aberto até acima do umbigo, calça preta de couro, três cintos pretos, brincos e piercings de orelha prateados.
Ao passar pela porta, não demora nem dois minutos para meus olhos encontrarem Magdala. Sou magnetizado por ela.
Sua saia expõe suas coxas grossas e a curva grande de sua bunda. Sinto uma fisgada na virilha ao lembrar de Magdala se masturbando na minha frente. Tão desinibida com as pernas abertas para mim. Ela me colocou de joelhos e, como um rendido perante a rainha, causei-lhe êxtase com minha língua. Gostaria de vê-la tendo um orgasmo com os próprios dedos, mas estou satisfeito que ela esfregou sua buceta na minha língua como se eu fosse um brinquedo.
Meu tesão morre quando vejo o que a empresária está prestes a fazer. Tem cocaína na mesa. O grupo está ensinando como Magdala deve cheirar. Não vou deixá-la destruir a própria vida. Eu que vou destrui-la.
Em passos largos, alcanço o grupo e então viro a mesa, derrubando o pó e tudo que estava ao redor. O vidro quebra, o barulho tão alto quanto a música tocando pela mansão.
Antes que eu possa verificar se Magdala está ferida, ela me dá um empurrão, “Qual a porra do seu problema?”
Seguro seu braço sem apertar e abaixo a voz ao pôr minha boca no seu ouvido, “Até posso te assistir tomando várias drogas, mas não as que podem acabar com sua vida por completo.”
“Por que você se importa?” sua voz é baixa, mas seu tom é arisco.
As palavras de Chaewon passam como flashes na minha mente.
Luigi aparece, “Vocês estão causando uma cena.”
“Retornem pra porra das merdas de vocês!” grito para a fraternização.
Fazem o que eu mandei.
Me retiro, pois sei que Magdala está desconfortável. Mas escuto passos atrás de mim. Escuto Luigi brigando com a namorada por estar me seguindo pelo corredor distante da turma.
“Onde está Antonella?” me viro para o casal.
“Ela não veio,” Magdala responde, não mais arisca.
“Tenho certeza de que sua prima te impediria de cheirar cocaína. Diferente do seu namorado,” olho para Luigi querendo quebrar uma mesa nele.
“Quem você pensa que é?” ele revida. “Sério, cara, você aparece nos lugares achando que é dono deles. Como se fosse dono dela.”
Olha quem fala.
“Você me deixou constrangida,” Magdala diz para mim.
Fico constrangido com isso. Suas palavras e seu olhar de decepção... Sinto meu peito ser cortado. Não queria constrangê-la ou magoá-la. Apenas quis evitar dela cometer um erro. Contudo, de fato causei uma cena e tomei uma decisão por ela.
“Sinto muito, Dala.”
“Dala?!” Luigi repete, exasperado. “Vocês só podem estar me zoando mesmo!”
“Cala a porra da boca, puta que pariu,” Magdala se direciona ao namorado. “Você me constrange só por existir!”
“Bebêzinha—”
“Ettore,” ela me chama, interrompendo Luigi. “Embora sua atitude tenha sido de maneira errada, se eu tivesse continuado o que estava prestes a fazer, aquilo poderia ter se tornado um caminho sem volta.”
MAGDALA
Quero ir embora. Não pela cena causada e sim porque me desgastei com Luigi. É mais difícil sair com ele quando não tenho Antonella comigo.
Dentro da LaFerrari, espero meu namorado ligar o carro. Mas o que ele faz é tirar uma arma do porta-luvas. Minha pressão cai e fico ouvindo um zumbido.
Luigi põe um braço no meu banco de passageiro enquanto sua outra mão segura a arma de fogo na minha direção.
“O que está fazendo com uma arma aqui?” consigo perguntar, tentando não mostrar minha respiração irregular.
“Nunca se sabe o que acontece nessas festas, né? Ainda mais quando têm Magdala Delacorte e Ettore D’Angelo nelas.”
A arma não está destravada, mas a trava de segurança pode falhar. Meu coração está disparado terrivelmente.
“Tem gente que causa mais polêmicas que nós dois,” respondo corajosamente ou idiotamente.
“Mas ninguém acha essas pessoas mais interessantes que vocês dois.”
Não é culpa minha que chamo atenção. Eu apenas sou interessante, me seguro para não rebater. Eu levaria um soco ou um tiro, pois Luigi me culpa por qualquer coisa.
“Você tem acesso a armas bonitas. Poderia me apresentar depois?” tento manipulá-lo, pois talvez não haja um ‘depois’ para mim.
“Você se acha invencível. Ameaçou atirar em mim e acha que eu não revidaria.”
“Eu errei. Eu erro tanto, eu sei. Me desculpa por cometer tantos erros contigo, mô,” continuo manipulando. “Mas eu te amo, Luigi. Eu sei que falho como namorada, mas eu te amo.”
“Você é uma puta mentirosa!” ele soca meu banco.
Não consigo mais segurar as lágrimas. Meu corpo todo treme de medo.
“Fica dando pro Ettore bem debaixo do meu nariz,” Luigi mira a arma na minha testa. “E não faz nada pra impedir que ele me humilhe,” ele pressiona mais a arma em mim.
“É pra irritar meus pais!” eu explico. “Não sinto nada pelo Ettore, Luigi. Eu juro.”
“Irritar seus pais?” Luigi fica confuso.
“Sim, sim. Você sabe: eles vivem me impondo regras, até com quem devo ou não conversar. E eles odeiam o Ettore. Com razão, né? Então eu apenas quis me rebelar.”
Falar que alguém tem razão em odiar Ettore me deixa com um gosto ruim na boca. Entretanto, tem um fundo de verdade que eu uso o herdeiro para ir contra meus pais e meu namorado. O motivo apenas não é somente esse.
Luigi bufa uma risada, abaixando a arma. “Que coisa estúpida. Você é tão idiota, Magdala. Me humilha e diz que é pra se rebelar contra seus pais?!” Ele dá um tapa na minha mandíbula com a arma.
Minha gengiva está sangrando.
“Se meus pais não estiverem dormindo, me verão assim,” comento, limpando o sangue com a mão, medo e raiva misturados, lágrimas secando.
“Está me ameaçando mais uma vez?” Luigi mira a arma onde me deu o tapa. “Não te levarei pra casa, bebêzinha. Vai passar a noite no meu apartamento.”
“Não tem como. Meus pais mandaram eu dormir em casa, pois talvez sairemos amanhã de manhã,” minto.
“Quando esse sangramento parar, você vai passar uma maquiagem, mentir que levou uma queda ou culpar alguém que não seja eu,” Luigi responde simplesmente. “Porque a culpa não é minha, bebêzinha. Você que continua fazendo merda.”
“Sim...” desisto. “Mas tenho que ir pra casa.” Eu não tenho um ‘lar’.
ETTORE
Tirando minha maquiagem com água micelar, de pernas cruzadas no tapete do estúdio da Chaewon, conto a ela o que aconteceu esta noite. São 23:00. Percebi que ando saindo cedo de festas ultimamente. Eu geralmente chegava nesse horário. Estou sendo domesticado?
“Por sorte, ninguém gravou nada. Ah, e já paguei a mesa.”
“Seu plano era manchar a reputação da Magdala pra estragar a do pai dela, mas ela mesma faz isso,” Chaewon comenta sem parar de pintar seu desenho de carro personalizado no quadro.
É notório que Magdala gosta um pouco de perigo, entretanto, me questiono se ela causa problema de propósito ou se procura problema para ir contra as pessoas que querem controlá-la. As duas coisas, chego à conclusão. Quero me tornar especialista em Magdala Delacorte.
Chaewon gira o banco na minha direção, “Você não admite, mas desde os 12 anos idade, sua vida gira em torno da Magdala. Mas eu te conheço desde criança. Eu sei que você não seria capaz de matá-la, pois no fundo, sempre se importou com ela.”
Mais uma vez, minha amiga esqueceu que minha motivação é acabar com Tiberius Delacorte e que Magdala é minha ponte para isso.
Meu subconsciente ri de mim.
