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Capítulos de MAGMA

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CAPÍTULO 5

MAGDALA

 

Cheguei atrasada na faculdade devido a ressaca. Que ideia burra de comemorar aniversário na semana. Que ideia burra você ter se drogado e bebido álcool na semana, Magdala, me repreendo.


Meu namorado me chama para sua Ferrari após a aula. Sento no banco passageiro, prestes a me inclinar para lhe dar um beijo, quando Luigi empurra uma mão na parte de trás da minha cabeça e bate minha testa em cima do porta-luvas. Acontece tão rápido, que fico desnorteada por uns segundos. Pressiono a palma da mão onde dói enquanto minha visão borra com as lágrimas.


“Você fez de novo, sua puta!” ele aperta meu rosto com uma mão, sacudindo minha cabeça. Minhas lágrimas escorrem. “Achou que eu não ia ficar sabendo?! HEIN?! Eu conheço gente que pode me manter informado, Magdala. Mostraram fotos e filmagens da festa, sua burra. Lá estava você grudada com um filho da puta.” Luigi me solta com força. “Tô namorando uma vadiazinha. Inacreditável.”


Fico chorando em silêncio, cabeça apoiada na janela de vidro fumê. Ninguém consegue me enxergar. Ninguém me tiraria daqui, de qualquer de maneira.


A primeira vez que Luigi foi violento, aconteceu pouco tempo depois de começarmos a namorar, após eu ter apenas conversado com uma jovem da minha idade em uma festa, pois ele achou que eu estava planejando trai-lo com ela. Por medo dele, eu nunca revelei com todas as letras que me atraio por todos os gêneros. Mas ele sabe, porque já fizemos um ménage com uma mulher no seu aniversário de 23 anos. Ele queria esse presente e eu dei. Não me arrependo, pois foi prazeroso, mas teria sido melhor se fosse com outro cara em vez dele: um que não tivesse feito porque me objetifica; um que não saísse se gabando do que rolou.


“Sou um bom namorado, tu sabe disso,” Luigi fica falando. “Mas você fica me humilhando assim. E na frente de todos. Você tem coração, Magdala? Porque eu te dei o meu, mas você quebra repetidamente,” ele acaricia minha bochecha com um polegar. Me controlo para não expor minha aversão.


E eu vou continuar quebrando, seu verme.

 

MAGDALA

 

Luigi dirige até onde meu carro está estacionado na faculdade. Pede desculpas por ter me feito chorar. Diz que acredita em mim que não o trairei de novo.


Entro na minha Lamborghini e fico batendo no volante e painel, dor e raiva me fazendo surtar. Quando paro, estou sem ar, com mais lágrimas queimando minha pele.


Tentando me acalmar, ligo para minha prima. Por sorte, ela ainda está na faculdade, então me encontra no banco de passageiro.


“Sou ferrada da cabeça, Tônia,” digo a ela após contar o que aconteceu, cabeça abaixada com a testa e mãos no volante. Estou com uma dor de cabeça latejante.


“Eu sei. Eu te amo assim também,” minha prima acaricia meus cabelos. “Mas sempre importante lembrar que, mesmo você ainda estando com ele, ele é quem está errado.”


Antonella sempre esteve comigo desde a infância. É a pessoa que mais confio para contar tudo. O que eu não conto pra ela é que sou mais ferrada do que ela imagina.


“Mas eu também não estou?” ergo a cabeça para olhar nos seus olhos. “Continuo traindo ele, Antonella. Não quero parar. E só não termino com ele porque a mídia-política aprova nosso namoro.”


“Não, você não termina com ele porque pode ser perigoso. Não sabemos o que ele pode fazer contigo.”


Eu já pensei em maneiras de terminar com Luigi. Em um local público, como num restaurante, ele não faria nada comigo. Todavia, poderia se vingar depois.


Uma outra solução é contar ao meu pai, que poderia me ajudar por ser um homem mais poderoso que a família de Luigi. Contudo, seria um escândalo. Estou começando a enxergar que meu pai pediria para eu aguentar só mais um pouco, só enquanto ele trabalha para conseguir a presidência.


Não consigo ir a público sobre meu namorado abusivo, pois isso é assustador. Contatar a polícia? Que piada. Talvez a única forma que eu tenha encontrado de me livrar do Luigi é humilhando-o mais. Até um dia ele perder a compostura e me agredir publicamente. Assim, eu não precisaria falar sobre, porque todo mundo estaria vendo. As pessoas se importariam? Não se importaram com a garota da boate.


Talvez eu continue traindo Luigi porque isso, de algum modo distorcido, faz me sentir tendo poder sobre esse relacionamento e sobre mim mesma. Ele não me respeita, portanto, não o respeito de volta.


Quero te torturar. Lembro de Ettore, o cara que me viu trair na festa de ontem. Me pergunto se ele está entre as pessoas que contou a Luigi. Faço questão de descobrir.

 

ETTORE

 

Quinta-feira à noite é um período tranquilo para cometer um assassinato, pois a guarda das pessoas abaixa por passarem a semana toda esperando sexta-feira.


Invado a casa do político e injeto sonífero no pescoço dos dois seguranças, vindo por trás deles, mão enluvada em suas bocas para abafar os ruídos de luta.


O último segurança tenta me pegar de surpresa, porém sou mais rápido e desvio de seu soco, arrancando sua arma e dando dois golpes no seu rosto com ela. Ele cai no chão com a boca e nariz sangrando. Não perco tempo em pegar a terceira seringa com sonífero. Ele agarra minha perna, mas chuto sua cabeça com a outra, fazendo-o desmaiar. Injeto o sonífero no seu pescoço para o desmaio durar mais.


Com os três seguranças apagados, me direciono ao gerador de energia da casa para desligá-lo. Tudo fica escuro, no entanto, minha gangue sempre me entrega a planta da residência para eu estudá-la antes do crime, saber onde fica cada coisa, planejar como entrar e sair.


O serviço está sendo mais fácil porque a gangue conseguiu entrar no sistema de câmera do político e apagará qualquer filmagem que tenha rastros meus. O alarme da polícia foi desativado pelos meus colegas.


Entrando na casa com uma lanterna, o cachorrinho da família aparece e começa a latir. Eu me agacho pra fazer carinho nele, que logo cede. Trago o animalzinho no colo, alisando sua cabecinha, e o tranco no lavabo.


Subo as escadas silenciosamente, chegando na suíte master. Abrindo a porta lentamente, vejo que o casal acordou devido o ar-condicionado ter desligado com a falta de energia.


A esposa começa a gritar, seu marido procura algo na gaveta para tentar me deter, eu miro minha arma com silenciador na sua testa e atiro. O sangue suja a parede, cabeceira, abajur e lençóis, menos a esposa, que foi se proteger na lateral da cama.


Não mato as esposas ou filhos dos políticos. Apenas se eles estiverem envolvidos nos crimes deles, o que geralmente acontece. A esposa de hoje é poupada. Os filhos são adolescentes e estão numa viagem. Só mato adultos e não mato se houver criança na casa; seria um trauma pra vida delas.


Com o trabalho feito, vou embora. Não antes de deixar o papel impresso com a lista de crimes do político, como é necessário em todo serviço.


A esposa pode descrever minha silhueta para a polícia, mas estou completamente mascarado. Minha roupa equipada também faz com que não consigam averiguar minha fisionomia direito. A única coisa que terão pra desconfiar é que o crime foi cometido por uma gangue que assassina políticos.


Há anos, é do conhecimento da polícia que existem gangues que assassinam políticos ou pessoas poderosas próximas a este meio, como juízes corruptos, por exemplo. A população de Avas não sabe que são gangues; apenas supõem que são bandidos ou os próprios políticos matando uns aos outros. O que é comum, obviamente, afinal, magnatas sempre estão numa guerra.


Faço o que tenho que fazer para me livrar de evidências, tomo um banho quente na banheira da minha suíte e finalizo meu dia após tomar meu remédio de insônia. Amanhã será um dia mais conturbado, pois verei meu pai.


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